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Crise da memória RAM deixa smartphones mais caros em 2026

Disputa por chips DRAM entre data centers de IA e fabricantes de celulares derruba vendas e empurra preços dos smartphones para cima em todo o mundo.

Redação Bytezine

Redação Bytezine

18 de agosto de 2026· 7 min de leitura

Crise da memória RAM deixa smartphones mais caros em 2026

Os smartphones estão custando mais caro em 2026, e a razão não tem a ver com novos recursos ou câmeras melhores: é a escassez global de memória RAM. A disputa entre data centers de inteligência artificial e a indústria de eletrônicos de consumo pelos mesmos chips de memória DRAM já derrubou as vendas de celulares no mundo todo e forçou fabricantes a repassar custos ao consumidor — incluindo no Brasil.

O problema começou a ficar visível no fim de 2025 e se aprofundou ao longo do primeiro semestre de 2026. Segundo levantamento da consultoria TrendForce, os preços de contrato da DRAM convencional subiram entre 90% e 98% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao trimestre anterior, com novos aumentos de 58% a 63% projetados para o segundo trimestre. Para a memória DRAM móvel, usada em smartphones, Samsung e Micron chegaram a pedir reajustes de mais de 80% sobre os preços do trimestre anterior, enquanto a SK Hynix propôs algo entre 55% e 60%, de acordo com a mesma consultoria.

Por que a memória ficou tão cara

A causa raiz é a construção acelerada de data centers para treinar e rodar modelos de inteligência artificial — a mesma corrida que levou gigantes como [Google, Microsoft e Amazon a disputar capacidade de nuvem](/artigo/aws-vs-azure-vs-gcp-2026) e que sustenta o apetite por modelos cada vez maiores, como os da família GPT. Esses data centers consomem grandes volumes de memória de alta performance, como a HBM (High Bandwidth Memory), usada em GPUs de IA. Como a HBM tem margem de lucro maior que a DRAM comum usada em celulares e notebooks, fabricantes como Samsung, SK Hynix e Micron — que juntas dominam a produção mundial de memória — vêm realocando capacidade de fábrica e investimento para atender esse mercado mais lucrativo, em detrimento da produção voltada a eletrônicos de consumo.

O resultado é que a memória, que antes representava uma fatia menor do custo de um celular, hoje pesa muito mais na conta. Segundo a IDC, a memória já responde por 15% a 20% do custo total de componentes (bill of materials) de um smartphone intermediário, e por 10% a 15% em um aparelho topo de linha — uma fatia consideravelmente maior do que a observada antes da atual crise.

Um agravante é a concentração desse mercado: praticamente toda a produção mundial de DRAM está nas mãos de três empresas — Samsung, SK Hynix e Micron. Quando as três decidem priorizar contratos de memória de alta performance para data centers, simplesmente não existe capacidade de fábrica sobrando para compensar do lado da eletrônica de consumo no curto prazo. Erguer uma nova fábrica de semicondutores leva anos, o que explica por que a resposta da oferta é lenta mesmo com preços em alta.

O impacto nas vendas globais de celulares

O efeito já aparece nos números do setor, embora as consultorias divirjam sobre a magnitude exata da queda. A Omdia registrou uma retração de 6% nas remessas globais de smartphones no segundo trimestre de 2026 na comparação anual, para 272 milhões de unidades. Já o Counterpoint Research, usando metodologia própria, apurou uma queda de 11% no mesmo período — o pior resultado para um segundo trimestre em 13 anos. As duas consultorias concordam, no entanto, sobre a causa: o encarecimento dos componentes de memória pressionou os custos de produção e enfraqueceu a demanda, principalmente na faixa de entrada e intermediária, onde consumidores mais sensíveis a preço adiaram a troca de aparelho.

  • Segundo o Counterpoint Research, a Samsung terminou o trimestre como líder de mercado, com cerca de 24% de participação global, puxada pela linha Galaxy.
  • A Apple registrou recorde de participação, próximo de 20% do mercado, também de acordo com o Counterpoint Research.
  • A Xiaomi teve queda de cerca de 26% nas remessas na comparação anual, segundo a mesma consultoria.
  • OPPO e vivo recuaram, respectivamente, cerca de 17% e 18% no mesmo período, segundo o Counterpoint Research.

O padrão é consistente: marcas com portfólio mais concentrado em aparelhos premium sentiram menos o baque, enquanto fabricantes que dependem do volume de modelos de entrada foram mais afetados pelo encarecimento dos componentes.

E no Brasil?

A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) já sinalizou o problema por aqui. Em reportagem do Olhar Digital, a entidade projetou que o preço final de eletrônicos ao consumidor — incluindo celulares, notebooks, desktops e TVs — pode subir até 30% em decorrência da escassez de memória, à medida que fabricantes repassam o custo mais alto dos componentes para a cadeia de varejo. É importante notar que se trata de uma projeção da entidade setorial, não de um índice de preços já consolidado, e a magnitude exata deve variar por categoria de produto e por fabricante.

Na prática, isso tende a aparecer de duas formas na prateleira: aparelhos com o mesmo preço saindo com menos RAM e armazenamento do que a geração anterior, ou o mesmo aparelho custando mais caro para manter a configuração de memória. Antes de comprar, vale comparar a ficha técnica com o modelo equivalente do ano passado.

Quanto tempo a crise deve durar

Em uma atualização de dezembro de 2025 a um relatório anterior, a IDC projetava dois cenários para 2026: no mais pessimista, os preços médios de smartphones e PCs subiriam até 8%, com queda de até 5,2% nas vendas de celulares e 8,9% nas de computadores; no mais otimista, a alta ficaria entre 3% e 4%. Passados os primeiros meses do ano, os dados de mercado divulgados por Omdia e Counterpoint indicam que o setor está caminhando para o cenário mais pessimista dessa projeção.

Analistas da própria IDC apontam que a pressão sobre os preços deve persistir ao longo de 2026 e se estender por 2027, já que a expansão dos data centers de IA não dá sinais de desaceleração. Diferentemente de crises de oferta anteriores, causadas por desequilíbrios pontuais entre produção e demanda, o cenário atual é descrito por analistas do setor como uma realocação estrutural da capacidade global de fabricação de chips em favor da infraestrutura de IA — o que sugere um problema mais duradouro do que os apagões de memória vistos em ciclos passados.

O que isso significa para quem vai trocar de celular

Para o consumidor brasileiro, a recomendação prática que se desprende dos dados é simples: comparar a ficha técnica de memória RAM e armazenamento com atenção redobrada, já que o mesmo nome de linha pode vir com configuração inferior de um ano para o outro sem queda proporcional de preço. Quem trabalha com desenvolvimento ou usa IA no dia a dia e depende de custo previsível de infraestrutura em nuvem — não de hardware local — pode acompanhar o impacto do lado da API pela [calculadora de tokens do Bytezine](/calculadora-tokens), já que o mesmo aperto por capacidade de memória também influencia o custo de rodar modelos como os da [família GPT-5.6](/artigo/gpt-5-6-o-que-muda-no-dia-a-dia) em nuvem.

Impacto para empresas e times de TI

O efeito não fica restrito ao consumidor final. Empresas que fazem renovação periódica de frota de notebooks e celulares corporativos também sentem o aumento de custo, e o momento de compra passa a pesar mais no planejamento orçamentário. Alguns pontos que times de TI e compras costumam levar em conta diante desse cenário:

  • Antecipar compras planejadas para 2026 pode fazer sentido financeiro, já que analistas não preveem alívio de preços no curto prazo.
  • Negociar contratos de fornecimento com fabricantes ou distribuidores pode travar preço e prazo de entrega diante da volatilidade do mercado.
  • Reavaliar a configuração mínima de RAM exigida para os aparelhos corporativos evita pagar por capacidade acima do necessário em um momento de custo mais alto.
  • Acompanhar relatórios de consultorias como IDC, Omdia e Counterpoint ajuda a antecipar tendências de preço antes do próximo ciclo de compras.

Mais artigos sobre o assunto podem ser acompanhados na editoria de [tecnologia](/categoria/tecnologia) e de [cloud](/categoria/cloud) do Bytezine, à medida que novos dados de mercado forem divulgados pelas consultorias do setor.

Perguntas frequentes

Porque fabricantes como Samsung, SK Hynix e Micron realocaram capacidade de produção para atender a demanda de data centers de inteligência artificial, que pagam mais por memória de alta performance (como a HBM). Isso reduziu a oferta de DRAM comum usada em smartphones e PCs, elevando os preços de contrato em até 98% no primeiro trimestre de 2026, segundo a TrendForce.

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